FATOS & COMENTÁRIOS
A crítica do cotidiano
Paulo Ricardo Corrêa*
Não, não se trata de um artigo sobre religião.
Porém, a lição deixada pelo Mestre Carpinteiro que mudou o mundo, nos aponta uma reflexão sobre os caminhos que estão seguindo os nossos políticos, em todos os níveis: municipais, estaduais, federais e mundiais.
Falava Jesus sobre a necessidade de separar as coisas humanas das espirituais, ou, as coisas do ego daquilo que é a necessidade de trabalhar as virtudes do ser.
Porém, temos visto que as tentações da matéria é que tem determinado as ações daqueles que, sedizentes representantes do povo, procuram acercar-se de todas as possibilidades para juntar poder e, consequentemente, capacidade de enriquecer pessoalmente, favorecendo ‘os amigos’ que o colocaram no cargo.
No cenário mundial, nesses últimos meses – especialmente – ressurge Trump com sua sanha de conquistador colonialista, usando o poderia bélico daquele país que, por incúria dos demais países do mundo, arvorou-se o “vigilante” da democracia e, agora, tem a capacidade de destruir grande parte da Humanidade, seja materialmente, seja espiritualmente. E tudo para agradar um ‘amigo’…
No cenário brasileiro, há um claro embate entre a exploração do capital contra os direitos do trabalhador, com destaque para a modificação da jornada de trabalho, afim de que seja adotada a escala 5 X 2, com redução da carga horária para 40 horas semanais. A resistência a esta mudança, por parte das forças capitalistas lembra, com certeza, a época da implantação do 13º salário, quando alegavam que isso iria ‘destruir o Brasil’. Não destruiu, apenas diminuiu o total de lucro distribuído para os mesmos.
Aqui, no Rio Grande do Sul, onde foram feitas privatizações com a desculpa de modernizar o estado, sanear as finanças e ‘dividir o bolo’ (parafraseando Delfim Neto…), o que se viu foi a piora em dois serviços públicos essenciais: água e energia elétrica. Ou seja, a política neoliberal, que pretende desestatizar serviços historicamente públicos, deixando para o ‘mercado’ regular preços e demandas, tem provado que não funciona, nem aqui no Brasil, nem no resto do mundo, notadamente nos Estados Unidos da América do Norte, quando se vê uma enormidade de pessoas passando, de um dia para o outro, do conforto da classe média para a miséria total.
Na Princesa do Sul, embora todo o esforço para arrumar a casa, o governo municipal não tem conseguido avançar em pautas favoráveis às necessidades da população menos assistida, justamente porque há uma resistência aos projetos enviados para o parlamento, e tudo por causa de uma forte oposição gratuita, calcada na política de puro enfrentamento sem considerar o reflexo naqueles que os elegeram, mas sim para forçar uma aceitação do velho sistema quid pro quo.
Enfim, quando Cesar resolve cobrar o que entende lhe ser devido, mas não é atendido, Cesar age por outras formas para receber.
Sempre foi assim. Mas as coisas haverão de mudar.
Como abri o comentário usando as palavras de Jesus, nada mais coerente do que lembrar outra de suas parábolas: o joio será separado do trigo!
*Paulo Ricardo Corrêa é advogado, escritor, radialista, natural de Pelotas, tendo crescido em Rio Grande. Trabalhou na TV Rio Grande, hoje RBS, e como locutor nas rádios Cultura Riograndina e Minuano.

