Deputada Federal Denise Pessôa defende no plenário o fim da escala 6×1 e afirma que debate envolve dignidade e saúde da classe trabalhadora
Por Redação Gazeta Gaúcha
Portal GZ1.com.br
Brasília DF
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A deputada federal Denise Pessôa (PT/RS) ocupou a tribuna do plenário da Câmara dos Deputados na sessão desta quarta-feira (27) para defender a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1, classificando o debate como uma medida de reparação social diante das desigualdades históricas do país. Durante o pronunciamento, Denise afirmou que a discussão sobre a jornada de trabalho envolve qualidade de vida, saúde física e mental e justiça social, especialmente para mulheres negras, que hoje estão entre as que mais trabalham e menos recebem no Brasil.
“Estamos diante de um dia histórico, um dia em que a gente faz reparação para um país marcado pelo patriarcado e pela escravidão. Quando a gente fala da redução da jornada, do fim da escala 6×1 e da redução de 44 para 40 horas, nós estamos fazendo reparação porque hoje, no Brasil, quem trabalha mais e quem ganha menos são as mulheres negras”, declarou.
A parlamentar também criticou setores que historicamente se posicionaram contra direitos trabalhistas e afirmou que a defesa da redução da jornada acompanha uma trajetória histórica da esquerda e do movimento sindical brasileiro.
“Não é de hoje que o Partido dos Trabalhadores e a esquerda defendem os trabalhadores deste país. Ao contrário, a extrema-direita ataca os direitos dos trabalhadores há muito tempo”, afirmou.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego e do eSocial reforçam o cenário apontado no debate. Atualmente, 14,8 milhões de brasileiros trabalham na escala 6×1 e 37,2 milhões ainda cumprem jornadas de 44 horas semanais. Mulheres representam 42,7% das pessoas submetidas à escala 6×1, enquanto trabalhadores negros correspondem a quase metade desse regime de trabalho no país.
Denise também destacou os impactos das jornadas exaustivas sobre a saúde da população trabalhadora. Apenas em 2024, o Brasil registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho, incluindo burnout, ansiedade, depressão, exaustão emocional e distúrbios do sono.
No discurso, a deputada afirmou que as transformações tecnológicas e o aumento da produtividade precisam resultar em melhores condições de vida para os trabalhadores.
“O mundo do trabalho mudou ao longo da história, a tecnologia avançou, a produtividade aumentou e novas formas de trabalho surgiram. Mas surge uma pergunta: quem se beneficia desses ganhos?”, questionou.
A parlamentar também citou experiências internacionais de redução da jornada em países como França, Chile e México, afirmando que essas mudanças resultaram em ganhos de produtividade, redução de afastamentos e melhora na qualidade de vida. Ao concluir, Denise reforçou que a redução da jornada representa uma adaptação das relações de trabalho às necessidades do século XXI.
“Queremos um país onde as pessoas trabalhem para viver e não vivam apenas para trabalhar”, concluiu.


