Pedal de freio
Por Redação Gazeta Gaúcha
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Pelotas RS
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FATOS & COMENTÁRIOS
A crítica do cotidiano
Paulo Ricardo Corrêa*
Inúmeros assuntos rolam na Humanidade, hoje, justamente em razão da infinita facilidade de comunicação entre as pessoas, proporcionada pelo incrível avanço tecnológico que, nos últimos 45 anos – se tomarmos somente o exemplo do Brasil – fizeram com que saíssemos do uso de uma máquina CP500, que era iniciada (boot) através de um disquete de 51/4 de polegada, inserido no ‘drive’ A, enquanto o programa desejado era inserido após, no ‘drive’ B, e chegássemos ao aparelho celular, do tamanho de uma pequena caderneta e que, inclusive, faz ligações telefônicas e televisivas.
E é sobre tal avanço, meteórico, que nos tempos de agora, uma organização privada chamada The Anthropic Institute (braço da empresa Anthropic, criadora da IA Claude), liderada por Marina Favaro, se debruça sobre a velocidade no desenvolvimento das ferramentas de inteligência artificial, em especial no que resulta em autoaperfeiçoamento recursivo total, ou seja, a capacidade da IA de projetar, escrever códigos e construir seus próprios sucessores, sem a intervenção humana.
Em recente entrevista à CNN, Jack Clark, co-fundador da Anthropic, alertou para o risco de, num futuro recente, a IA assumir total controle sobre importantes aspectos da vida humana, uma vez que estamos cada vez mais dependentes dos recursos tecnológicos que nos são colocados à disposição.
Temos dito, em várias reuniões e conversas, que não se pode dispensar o uso da inteligência artificial, fruto aliás da inteligência humana, mas que não podemos de maneira alguma perder a humanidade da inteligência.
Encontramos nas redes sociais inumeráveis ofertas dessa ferramenta, inseridas em programas que visam escrever petições (no particular caso da advocacia…), livros e tantas outras coisas cuja raiz deveria ser, sim, o sentimento humano. Aliás, no caso do Direito, não se pode pretender que a ciência humana seja desconsiderada, justamente porque o senso de justiça é inerente a ela.
No Poder Judiciário, e temos acompanhado muito de perto tal fenômeno, há uma perigosa tendência de utilizar a inteligência artificial para agilizar a resolução de processos e, por óbvio, já estão sendo oferecidos nas redes sociais, ferramentas para os advogados construírem suas petições iniciais.
Porém, o Direito e a Justiça não são meras palavras ou mecanismos, mas sim conceitos com princípios básicos da própria Humanidade e, se o uso da IA nessa seara for intensificado, há um forte temor de que – mais adiante, e não muito longe – sejam dispensáveis as três bases do Poder Judiciário: Advogado, Juiz e Promotor.
Preocupante, senhoras e senhores!
O The Anthropic Institute, através de Marina Favaro, defende a ideia de que possamos – se já não for muito tarde – inserir na programação da inteligência artificial um ‘pedal de freio’ (como Jack Clark definiu), afim de que nela possam também valer as famosas Três Leis da Robótica, principalmente a Lei Zero, sugeridas pelo escritor de ficção científica Isaac Azimov (Eu Robô).
Do contrário, a próxima geração terá que se valer de uma Sarah Connor, um John Connor e um Exterminador T-800, para garantir a sobrevivência da Humanidade, como bem lembrou o entrevistado Jack Clark à CNN, fazendo uma referência (ainda que a título de brincadeira…), ao filme estrelado por Arnold Schwarzenegger e Linda Hamilton.
Não bastasse termos que nos preocupar com os malfeitos (para usar uma palavra suave…) de várias personagens do cenário político nacional, ainda temos que ficar atentos para esses acontecimentos que tem o potencial de, em pouco tempo, fazer com que essas falcatruas tão desprezíveis, se tornem coisas de pouca importância, pois o objeto delas é o dinheiro e poder, os quais não mais teriam sentido…
Que consigamos, senhoras e senhores, barrar a corrupção e a roubalheira que agem no Brasil, colocando um ‘pedal de freio’ nesses políticos, empresários e banqueiros vendilhões da Pátria (pois já vimos que criminosos conseguem ser assim qualificados…), sendo certo que tudo começa com a retirada deles dos poderes constituídos: Legislativo, Executivo e Judiciário.
E que deixemos para Marina Favaro e Jack Clark a batalha contra o autoaperfeiçoamento recursivo total da inteligência artificial, mas sem perdemos o foco.
*Paulo Ricardo Corrêa é advogado, escritor, radialista, natural de Pelotas, tendo crescido em Rio Grande. Trabalhou na TV Rio Grande, hoje RBS, e como locutor nas rádios Cultura Riograndina e Minuano.


