FATOS & COMENTÁRIOS A crítica do cotidiano
Por Redação Gazeta Gaúcha
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FATOS & COMENTÁRIOS
A crítica do cotidiano
Paulo Ricardo Corrêa*
Pelotas RS
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A VOLTA DO TODO PODEROSO
Seguindo nossa série, sobre os todo poderosos do planeta, e dado a proximidade do período da propaganda eleitoral, que vai explorar os vieses partidários existentes no Brasil que, segundo o TSE, atualmente possui 30 partidos registrados (e outros 23 em formação), façamos aqui uma reflexão sobre os principais.
Sob o efeito da taxação comercial imposta pelo governo Trump, sobre produtos brasileiros destinados à exportação – a exemplo do que também impôs a outros 60 países, diga-se – Lula não apenas protestou, pela via diplomática, como também reage comercialmente, buscando ampliar as parcerias com outros mercados, inclusive trazendo o MERCOSUL para a mesa de negociações, prestigiando assim o bloco econômico do Sul Global (GS).
Entre os países que compõe o Mercado Internacional, um dos mais poderosos é, sem dúvida, a China, que adota a ‘economia socialista de mercado’ ou ‘socialismo com características chinesas’, como modelo de gestão política e justiça social. E é justamente por isso que o capitalismo a enfrenta. Não diretamente, mas pelos flancos.
Nesse ponto, recordo as lições do professor doutor Luiz Arthur Corrêa Dornelles, nas aulas de Economia Política e do professor doutor Everton das Neves Gonçalves, nas aulas de Ciência Política. O conservadorismo e o progressismo em debate na Academia…
As reformas no sistema econômico chinês começaram sob a liderança de Deng Xiaoping (a partir de 1978), permitindo, assim, que o controle político e social pudesse conviver com a livre iniciativa econômica. As reformas previam controle estatal, notadamente na construção da infraestrutura e atração de investimentos estrangeiros, através das Zonas Econômicas Especiais e políticas de comércio exterior focadas na exportação.
Associado a isso, em paralelo às empresas estatais, uma grande liberdade para empresas privadas, desde pequenos negócios locais até gigantes globais de tecnologia e manufatura, impulsionaram o giro de capital interno e externo e, a exemplo de tudo o que hoje norteia as ações do governo chinês, seja sob a liderança que for, o planejamento quinquenal é revisto de 5 em 5 anos, traçando metas de crescimento, inovação tecnológica e desenvolvimento social. Logo, não há ruptura nos rumos por imposição ideológica, circunstância normal aqui, nas Américas.
Isso assusta aos que ainda insistem em concentrar poder financeiro, militar e político! E foi isso fez com que, lá em 1962, fosse engendrado, com a intervenção dos EUA, o golpe de 64, pois João Goulart se aproximava da ideologia chinesa, com a ideia de suas reformas de base, notadamente depois do Comício da Central do Brasil, em 13 de março de 64, antecedidas pelos decretos de estatização das refinarias de petróleo, desapropriação de terras marginais às estradas e ferrovias, entre outras.
A maior expressão deste susto, nos dias atuais, encontra em Trump seu grande exemplo! E é por isso que, novamente, em requentada estratégia político-econômica, revivem o fantasma do comunismo, que há muito deixou de ser inexistente.
Nossa Constituição prevê, no artigo 4º, entre outros comandos que, no cenário internacional, o Brasil rege-se pela autodeterminação dos povos, a não intervenção e a solução pacífica dos conflitos. E é nessa base constitucional que o atual presidente, reconhecido internacionalmente como um dos maiores estadistas da atualidade, tem agido diante dos ataques de Trump. Ou seja: pouco importa se o regime econômico de um país é o comunismo, socialismo ou capitalismo, o Brasil irá buscar negócios, mercados e apoio, inclusive militar se for preciso.
Mas a extrema-direita, como também a direita, não suportam perder poder, influência e, principalmente, dinheiro!
Sob o jargão criado por eles, da polarização (aqui no Sul diriam grenalização…), tentam cooptar eleitores para, novamente, ascender ao poder político, apostando na pacificidade do povo brasileiro.
Aliás, essa busca incessante do povo brasileiro, pela Paz, tem sido atacada por aqueles que, no intuito de enganar, plantam a ideia de que o modelo dos EUA, cuja força econômico-financeira foi erguida nas guerras, invasões e colonização de inúmeros povos – todas sob o pretexto de levar a democracia… – seria a solução para uma pacificação política no Brasil. Deixam de esclarecer que, se existe essa perturbação social é, sem sombra de dúvidas, em razão dos atos praticados por eles mesmos, na melhor definição do antigo método: criar dificuldades para vender facilidades.
O Brasil foi impedido de avançar, social e economicamente, em 1964. Agora, pelas urnas – sempre atacadas, embora lhes tenha elegido – a direita e extrema-direita pretendem, de novo e de novo, impedir que nosso país possa, finalmente, assumir sua posição de potência mundial!
Voltaremos!
*Paulo Ricardo Corrêa é advogado, escritor, radialista, natural de Pelotas, tendo crescido em Rio Grande. Trabalhou na TV Rio Grande, hoje RBS, e como locutor nas rádios Cultura Riograndina e Minuano.


