Em sete anos, clínica de Caxias do Sul acompanha avanço da odontologia digital e mudança nas expectativas dos pacientes
Por Redação Gazeta Gaúcha
Portal GZ1.com.br
Caxias do Sul RS
Foto: Benne Odonto/Divulgação
Com cerca de 8 mil pacientes atendidos e mais de 10 mil implantes realizados, Benne Odonto mais que dobrou o volume de pacientes desde o início das atividades
Em sete anos, a odontologia mudou dentro e fora dos consultórios. Recursos como escaneamento intraoral, tomografia 3D e planejamento digital passaram a ocupar espaço crescente na avaliação e definição dos tratamentos, enquanto o envelhecimento da população ampliou a discussão sobre preservação dos dentes, capacidade mastigatória e reabilitação oral de longo prazo.
Em Caxias do Sul, a Benne Odonto acompanhou essa transformação desde o início de suas atividades, em 2019. Nesse período, cerca de 8 mil pacientes passaram pela clínica, que atualmente registra em torno de 800 atendimentos por mês. O número de pacientes atendidos é hoje pouco mais que o dobro do registrado no primeiro ano.
A operação reúne atualmente 20 profissionais (nove colaboradores contratados e 11 cirurgiões-dentistas) e estima gerar ainda cerca de 40 postos de trabalho indiretos ligados a fornecedores e prestadores de serviços. Ao longo dos sete anos, foram realizados mais de 10 mil implantes dentários, de acordo com os registros da empresa.
Uma das mudanças mais perceptíveis entre a odontologia praticada em 2019 e a atual, conforme o cirurgião-dentista Edson Cardoso Junior, está no avanço do fluxo digital. Na clínica, a avaliação inicial pode reunir tomografia 3D, fotografias intraorais e escaneamento da boca para auxiliar na construção de um planejamento individualizado.
“A principal transformação foi a capacidade de fazer trabalhos cada vez mais previsíveis, personalizados e planejados. A tecnologia nos permite avaliar o paciente de maneira mais ampla e buscar tratamentos menos invasivos e pensados para ter longevidade”, afirma Edson, que está à frente da clínica junto com o cirurgião-dentista João Ricardo Valdemarca Frizzo.
O movimento de digitalização ultrapassa a odontologia privada. Em julho de 2026, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação de recursos como scanners intraorais, impressoras 3D e softwares aos Laboratórios Regionais de Próteses Dentárias do SUS. A medida criou inclusive seis novos códigos de procedimentos ligados ao fluxo digital, indicando a expansão dessa tecnologia também na rede pública.
Na prática, a digitalização permite reunir diferentes informações antes da execução de procedimentos e simular etapas do tratamento. Para Edson, o avanço também representa uma mudança de abordagem: em vez de tratar exclusivamente uma necessidade pontual, cresce a possibilidade de avaliar de forma conjunta saúde bucal, função mastigatória, equilíbrio da mordida e aspectos estéticos.
“Quando falamos em reabilitação, não estamos falando somente de substituir um dente. Há situações em que é preciso tratar inflamações, recuperar a função mastigatória, reorganizar a mordida e, a partir disso, trabalhar a estética. O objetivo é pensar no resultado como um conjunto e também no que acontecerá com esse paciente daqui a dez ou 20 anos”, explica.
Envelhecimento coloca reabilitação oral no debate
A longevidade dos tratamentos ganha relevância diante do envelhecimento da população brasileira. Dados do mais recente levantamento nacional sobre saúde bucal mostram que a necessidade de reabilitação ainda é expressiva entre os idosos.
O SB Brasil 2023, realizado pelo Ministério da Saúde, identificou necessidade de algum tipo de prótese dentária em aproximadamente metade dos brasileiros examinados entre 65 e 74 anos. O levantamento é a pesquisa epidemiológica nacional mais recente sobre as condições de saúde bucal da população e avalia, entre outros indicadores, cárie, doenças periodontais, perda dentária e necessidade de próteses.
Outro dado mostra a dimensão do desafio: entre brasileiros de 65 a 74 anos, 50,15% utilizavam prótese total removível na arcada superior. Na Região Sul, o percentual chegava a 56,17%.
Para Cardoso Junior, esse cenário tende a fazer com que a odontologia esteja cada vez mais relacionada também à qualidade do envelhecimento.
“Durante muito tempo era quase naturalizado chegar à terceira idade perdendo dentes e utilizando próteses removíveis. Hoje temos mais recursos para trabalhar prevenção, manutenção dos dentes e, quando há perdas, diferentes possibilidades de reabilitação. A odontologia passa a fazer parte de uma discussão maior sobre envelhecer com saúde, conforto e segurança”, avalia.
Pacientes chegam de outras cidades e até do exterior
A ampliação do acesso à informação também alterou a relação dos pacientes com os tratamentos odontológicos. Na experiência da clínica, as redes sociais passaram a ser utilizadas tanto para divulgação do trabalho quanto para publicação de conteúdos educativos relacionados à saúde bucal.
Ao mesmo tempo, a circulação de informações e resultados de tratamentos amplia as expectativas de quem chega ao consultório. Segundo a equipe, isso torna a etapa de avaliação ainda mais importante para estabelecer o que é indicado para cada caso e diferenciar desejos estéticos de necessidades clínicas.
Nos sete anos de atuação, a Benne também passou a receber pacientes de diferentes municípios da Serra Gaúcha e de cidades como Porto Alegre, Novo Hamburgo e Florianópolis. Há ainda brasileiros que vivem no exterior e realizam tratamentos durante períodos no país, vindos de locais como Itália, Irlanda, Austrália, Reino Unido e Colômbia.
Atualmente, a Benne atua com procedimentos de reabilitação oral, implantes e próteses sobre implantes, ortodontia com aparelhos fixos e alinhadores, clínica geral, estética e harmonização facial.
Para os próximos anos, a avaliação dos profissionais é de que a odontologia deverá avançar na direção de procedimentos mais precisos, planejados e menos invasivos. A clínica também prevê ampliar sua presença na Serra Gaúcha, com a abertura de novas unidades na região.


