Por Redação Gazeta Gaúcha
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Brasília DF
Foto: Luiz Silveira/STF
Brincadeiras, histórias e criação de cartazes marcaram atividade que integra ação nacional realizada em mais de 30 tribunais brasileiros
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, nesta terça-feira (20), cerca de 20 crianças de quatro a 13 anos para uma tarde de brincadeiras, histórias e descobertas sobre democracia, cidadania e direitos. A iniciativa integra as atividades comemorativas dos 38 anos da Constituição Federal no STF e a ação nacional Presente do Futuro, que mobilizou mais de 30 tribunais brasileiros para aproximar o público infantil do Poder Judiciário e incentivar a educação para a cidadania.
A programação incluiu a leitura de trechos de “O Livro da Democracia”, coescrito pela ministra Cármen Lúcia, pela jornalista Mariana Oliveira e pela produtora literária Sabichinho. Com linguagem acessível e didática, a obra apresenta a história da democracia e explica o papel das eleições e da participação popular na conquista de direitos no Brasil.
Pedra, papel e tesoura
“Quem aqui já brincou de pedra, papel e tesoura?”, perguntou a contadora de histórias Flávia Ribas, coordenadora de Núcleo de Projetos do STF, que conduziu as atividades. As mãos se ergueram, mas foi Ravi, de 11 anos, quem tomou a palavra para explicar as regras: nenhum dos três elementos é mais forte do que os outros em todas as situações. “É assim que funcionam os três Poderes da República”, completou Flávia. “Eles precisam se equilibrar.”
Na brincadeira do cabo de guerra, as crianças puderam experimentar esse equilíbrio. Olívia, de sete anos, juntou-se a outras cinco crianças e quatro adultos para a disputa. Primeiro, com três crianças e dois adultos de cada lado, a corda ficou parada, sem pender para nenhum dos times. Depois, quando todos os adultos passaram para o mesmo lado, as crianças do outro time foram ao chão.
“Isso é injusto!”, protestou Catarina, de cinco anos. “Os adultos são mais fortes. Eles não podem ficar todos de um lado só.” As outras crianças concordaram. Flávia aproveitou a indignação da turma para fazer uma nova pergunta: “Mas o que é um protesto?”. “É quando várias pessoas vão para a rua lutar por uma coisa”, respondeu Enzo, de oito anos. A conversa logo virou ação: cada criança preparou um cartaz para defender aquilo em que acredita.

Proteste!
“Para protestar… vale, assim… qualquer coisa?”, perguntou Felipe, de 10 anos. Flávia explicou que protestar é uma forma de defender direitos, denunciar injustiças e pedir mudanças. Nem toda reivindicação precisa estar expressamente prevista na Constituição: as pessoas também podem lutar para que novos direitos sejam reconhecidos.
“Mas a liberdade de protestar tem limites. Ela não pode servir de desculpa para ameaçar a vida, atacar a dignidade ou desrespeitar os direitos de outras pessoas”, explicou Flávia. “E um jeito de saber sobre o que protestar é conhecendo a nossa Constituição. É nela que estão as bases dos nossos direitos e deveres, além das regras que organizam nosso país e protegem as liberdades de todos nós.”
Viva a democracia
Com as ideias mais claras, as crianças se soltaram. “Protesto contra a fome! Comida na mesa de todos”, dizia um dos cartazes. “Mais tempo de intervalo! Mais de 40 minutos!”, exigia outro. Uma terceira mensagem ampliava o olhar para além das necessidades humanas: “Eu protesto por florestas sem chamas, por um mundo que respeite a fauna e a flora e pela Amazônia continuar em pé!”. No maior cartaz, uma frase resumia o espírito da tarde: “Viva a democracia!”.
Depois, o grupo levou suas reivindicações até a estátua “A Justiça”, em frente ao STF. Ali, as crianças posaram para fotos com os cartazes que criaram. No encerramento, soltaram balões brancos, que subiram sobre a Praça dos Três Poderes antes de desaparecer por entre as torres do Congresso Nacional e os prédios da Esplanada dos Ministérios.
Iniciativa nacional
A ação Presente do Futuro foi idealizada pela ministra Cármen Lúcia, que abriu as atividades no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A programação contou com o apoio de coletivos e grupos de magistradas brasileiras e mobilizou as cortes superiores em Brasília e outros tribunais por todo o país.
As atividades foram adaptadas à realidade de cada tribunal. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), cerca de 20 crianças participaram de brincadeiras e leituras. No Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), a mascote da Justiça Eleitoral, Pilili, interagiu com o público infantil.
No Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), as crianças visitaram fóruns e conversaram com magistrados. Já no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), participaram de oficinas de desenho e origami e conheceram o plenário da corte.
(Gustavo Aguiar//CF)

