Por Redação Gazeta Gaúcha
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Por Paulo Ricardo Corrêa
Pelota RS
Em 49, antes de Cristo, o general romano Júlio Cesar, liderando as tropas armadas da 13ª. Legião cruzou o rio Rubicão, marco estabelecido pela lei romana como limite para qualquer exercito armado, a partir do qual seria considerado inimigo, avançou e, assim, desencadearia a mais famosa guerra civil que mudaria a história do Império Romano.
A frase? Alea jacta est. Tradução: a sorte está lançada!
Seu sentido real indica o ponto sem retorno.
Encerrado o 1º. turno das eleições, onde ficaram na disputa duas grandes forças, antagonistas em suas concepções sociais e humanitárias, e a apenas três semanas da próxima votação, um deputado federal mineiro, de nome André, resolve aumentar a mobilização que já vinha fazendo, em torno da campanha do candidato do PT sem, porém, integra-la oficialmente.
Sua estratégia: mobilizar pela arregimentação, não apenas os partidários filiados ao PT, mas também os simpatizantes do presidente Lula. Em menos de três dias, o canal do aplicativo de mensagens WhatsApp, denominado Exército do Lula, contou 3 milhões de inscritos e, em uma semana, já contava 10 milhões, incluindo aí, até, algumas pessoas que não eram tão simpáticas ao Lula mas, sim, contrárias a Flávio Bolsonaro e sua família, numa verdadeira acepção do dito: ‘o inimigo do meu inimigo é meu amigo’.
Resultado: este verdadeiro exército de militantes, recebendo funções de interação nas redes sociais e, principalmente, na lida da vida real, conseguiu convencer até aquelas pessoas que não haviam comparecido nas urnas, no 1º. Turno, como também outras, que não queriam entregar o país para a extrema-direita.
Lula foi reeleito, em uma fantástica virada, após a contagem dos votos ultrapassar 48 % das urnas.
A partir daí, o movimento de resistência à extrema-direita, em todo o mundo, explodiu (para usar uma expressão característica do mobilizador André Janones) e chegou em vários países, na Europa, no Oriente Médio, notadamente em Israel e, agora a pouco, nos Estados Unidos da América do Norte, com a eleição de uma maioria democrata no Congresso estadunidense, e de alguns governadores em estados historicamente republicanos, leia-se, conservadores e extremistas.
Hoje, dia 05/11/2026, foi a vez do Paraguai.
A partir de um escândalo, semelhante ao Caso Master brasileiro, a quebra do banco digital Ueno Bank, o povo enganado foi às ruas, reclamando por seu dinheiro, eis que a instituição financeira ficou sem provisão para honrar com o pagamento. Santiago Peña Palacios, presidente paraguaio, de fortes ligações com os diretores do banco quebrado, termina renunciando.
Mas o que chama a atenção, por sua significação, é a situação de milhares de brasileiros, enganados pelos sonhos disseminados dentro da bolha bolsonarista, que buscaram o Paraguai na promessa de lá viverem muito melhor, hoje estarem na triste situação de penúria, justamente porque, dentro de um sistema que não privilegia o bem estar das pessoas, mas apenas a exploração delas em favor do capital, dá chance para esse tipo de desastre.
Haverá muito a ser apurado, por lá.
Mas, por aqui, já se sabe que a resistência continuará, contra as chamadas bets, contra o negacionismo instalado em alguns estados brasileiros, a partir da eleição de partidários de Bolsonaro e, pior, com a eleição de uma grande parcela de parlamentares, na Câmara e no Senado.
Por enquanto, é observar o movimento, iniciado por Janones e espraiado pelo continente sul-americano.
O próximo episódio eleitoral, por aqui, deverá ser no sul, na Argentina.
O que fica é, certamente, a frase do grande general pois tudo indica que a derrocada da extrema-direita chegou no ponto sem retorno.
Alea Jacta Est

