Colunista: O Equívoco da Cadeira: Quando o Poder se Torna um Fim, e Não um Meio

Por Redação Gazeta Gaúcha

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Pelotas RS

Foto: Arquivo Pessoal

 

Colunista

Professor Roger Lemões

 

Existe uma distorção óptica perigosa nos corredores de Brasília e nas câmaras municipais pelo país. Da perspectiva de muitos que ocupam o poder, o Estado deixou de ser uma ferramenta de bem-estar social para se tornar um ecossistema de autopreservação. O que deveria ser um mandato — um “encargo” confiado pelo povo — transformou-se em uma propriedade privada, onde o interesse público é apenas o cenário de fundo para o verdadeiro espetáculo: a manutenção de privilégios.

 

A Engrenagem do “Eu Primeiro”

 

Atualmente, assistimos a uma inversão de valores que corrói a confiança democrática. O cálculo político raramente começa com a pergunta: “Como isso melhora a vida do cidadão?”. Em vez disso, a lógica que impera é a da sobrevivência corporativa. Orçamentos são fatiados para garantir reeleições, emendas Pix ou impositivas são priorizadas em detrimento de projetos estruturantes e alianças ideologicamente vazias são formadas apenas para manter o controle do tabuleiro.

Quando a manutenção do poder se torna a meta principal, o político deixa de ser um representante para se tornar um sobrevivente profissional. Nesse cenário, o povo não é o patrão, mas sim um obstáculo ou uma ferramenta estatística a ser manipulada a cada quatro anos.

“A política não é a arte de buscar o poder pelo poder, mas a ciência de aplicá-lo para o benefício comum. Quando essa bússola quebra, o navio do Estado navega em círculos para alimentar a tripulação, enquanto os passageiros ficam à deriva.”

 

Retomando o Prumo

 

A necessidade de colocar o povo em primeiro lugar não é um discurso romântico; é uma urgência prática. Um mandatário que prioriza o corporativismo em vez do bem comum é, por definição, um político em falência moral.

Para mudar esse quadro, é preciso que a transparência deixe de ser uma palavra bonita em portais oficiais e se torne uma barreira intransponível contra o interesse pessoal. A reforma que o Brasil mais precisa não está apenas nos papéis ou na economia, mas na mentalidade de quem ocupa os espaços de poder: a compreensão de que o cargo é temporário, mas o impacto das escolhas egoístas pode durar gerações.

É hora de lembrarmos aos nossos representantes que a cadeira que eles ocupam não lhes pertence. Ela é nossa. E o único motivo para eles estarem ali é para servir a quem está aqui fora.

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Professor Roger Lemões

 

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