Déficit na Polícia Civil agrava cenário de violência contra a mulher no Rio Grande do Sul

Por Redação Gazeta Gaúcha

Portal GZ1.com.br

Porto Alegre RS

Foto: Banco de dados digital GZ1

 

O Rio Grande do Sul volta a acender o alerta vermelho diante do aumento das mortes de mulheres
e da crescente violência doméstica. Especialistas e representantes da área da segurança pública
apontam que o cenário é agravado pelo déficit de efetivo na Polícia Civil, que tem enfrentado
dificuldades para manter investigações e garantir atendimento adequado às vítimas.

Atualmente, cerca de 80 municípios gaúchos contam com apenas um servidor da Polícia Civil,
situação que compromete a apuração de crimes e o atendimento à população. Nos últimos anos,
mais de 1.300 servidores se aposentaram ou se exoneraram, reduzindo significativamente a
capacidade operacional da instituição.

Apesar desse cenário, o governo estadual lançou um novo concurso público com previsão de
chamamento para o Teste de Aptidão Física (TAF) em número considerado insuficiente. A
avaliação é de que, ao final do certame, as nomeações não serão suficientes sequer para repor as
saídas ocorridas nos últimos anos, mantendo o déficit histórico de efetivo.

Na Serra Gaúcha, a situação é ainda mais preocupante. Municípios enfrentam escassez de
policiais civis, e algumas Delegacias de Polícia operam com número mínimo de servidores, o que
compromete investigações, o atendimento às vítimas e o acompanhamento de medidas protetivas.

O tema ganhou ainda mais repercussão após o feminicídio de Roseli Vanda Pires Albuquerque, de
47 anos, assassinada no município de Nova Prata. Roseli era servidora pública, ex-vereadora e
reconhecida por sua atuação em defesa dos direitos das mulheres e das pessoas com deficiência.

Após a repercussão do caso, o governador Eduardo Leite manifestou-se publicamente,
lamentando o crime e reforçando o compromisso do Estado no combate à violência contra a
mulher.

 

Indicadores em alta

 

Dados divulgados pelo Governo do Estado indicam que o Rio Grande do Sul registrou seis
feminicídios apenas em fevereiro de 2026, número superior ao verificado no mesmo período do
ano anterior. Após um período de redução, os índices voltaram a crescer ao longo de 2025 e
seguem em alta neste início de ano.

O último grande concurso da Polícia Civil ocorreu há anos e, desde então, aposentadorias,
exonerações e afastamentos reduziram significativamente o efetivo.

Representantes da categoria e candidatos aprovados têm buscado diálogo com parlamentares e
com o governo estadual para ampliar o número de convocados nas próximas etapas do concurso.
Caso não haja reforço no efetivo, a previsão para os próximos anos é considerada preocupante,
com delegacias cada vez mais sobrecarregadas e número insuficiente de servidores para atender
à demanda da população.

Além disso, o cargo de policial civil tem se tornado menos atrativo em razão das condições de
trabalho, da sobrecarga de funções e do déficit de efetivo, fatores que podem agravar ainda mais a
falta de servidores no futuro.

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