FATOS & COMENTÁRIOS

Por Redação Gazeta Gaúcha

Portal GZ1.com.br

Coluna: A crítica do cotidiano
Paulo Ricardo Corrêa*

Pelotas RS

Foto:

 

DO ZÊNITE AO NADIR

 

“SENHOR! A natureza, a razão e a humanidade, este feixe indissolúvel e sagrado, que nenhuma força humana pode quebrar, gravaram no coração do homem uma propensão irresistível para, por todos os meios e com todas as forças em todas as épocas e em todos os lugares, buscarem ou melhorarem o seu bem-estar.”.

Era o dia 20 de agosto de 1822! Reunidas as Lojas Maçônicas “Comércio e Artes”, “Tranquilidade” e “Esperança”, no Rio de Janeiro, onde o jornalista, político e maçom, Joaquim Gonçalves Ledo, editor do Jornal ‘O Revérbero’, fundado em 1821, junto com o cônego Januário da Cunha Barbosa, assim iniciou seu discurso que, no decorrer daqueles dias, culminou com a Declaração da Independência do Brasil perante Portugal e o mundo.

Seu discurso era dirigido diretamente ao então Príncipe Dom Pedro I, exortando-o a tomar uma atitude:

“O Brasil, no meio das nações independentes, e que falam com exemplo de felicidade, não pode conservar-se colonialmente sujeito a uma nação remota e pequena, sem forças para defendê-lo e ainda para conquistá-lo. As nações do Universo têm os olhos sobre nós, brasileiros, e sobre ti, Príncipe!
Cumpre aparecer entre elas como rebeldes ou como homens livres e dignos de o ser. Tu já conheces os bens e os males que te esperam e à tua posteridade. Queres ou não queres? Resolve, Senhor!”.

No dia de hoje celebra-se a data como o Dia do Maçom, fazendo com que não apenas os denominados obreiros da Sublime Ordem comemorem, mas os induzindo a provocar, naqueles que não pertençam a esta Associação Discreta de Homens e Mulheres Livres, também exercerem o senso crítico sobre a sua vida em sociedade.

As palavras do Mestre Gonçalves Ledo, no longínquo agosto de 1822 (já se vão mais de dois séculos!), hoje permanecem atuais.

Em maio de 1985, a banda RPM lançou um disco LP (talvez as gerações mais novas não saibam o que seja…), intitulado justamente ‘Revoluções Por Minuto’, cuja música título, em um trecho, fala “Nos chegam gritos da ilha do Norte, ensaios pra Dança da Morte” numa alusão ao recrudescimento da Guerra Fria, mais precisamente da guerra Irã-Iraque, onde os EUA davam suporte militar e logístico ao Iraque.

Hoje, a Ilha do Norte continua com sua sanha colonizadora, em busca de novos campos em que possa explorar as riquezas, sem que obedeça aos mais básicos princípios de humanidade, solidariedade e soberania. Não há outra palavra que identifique a atuação do presidente estadunidense que não a de ditador.

Rasgando a Carta das Nações Unidas, elaborada em 26/06/1945, Donald Trump ataca as instituições internacionais de proteção aos direitos individuais e coletivos dos povos, subverte o uso da força militar que tem à sua disposição para, como verdadeira encarnação de Átila, o Huno, ou Nero, o imperador romano, mirar em um país soberano – como é o caso do Brasil – e nele impor sanções, utilizando as mais estapafúrdias desculpas, além de arvorar-se como defensor das liberdades e combatente do crime no planeta.

É certo que, aqui no Brasil, temos políticos que se intitulam patriotas, mas que defendem essa postura do ditador estadunidense, inclusive sugerindo tais sanções e intervenções em solo brasileiro. Esses falsos patriotas, verdadeiros traidores da pátria, ainda pretendem governar a nossa nação. Não poderão passar!

Porém, tal como foi defendido lá, em 1822, dentro das colunas das Lojas Maçônicas cariocas, nos dias de hoje se faz necessário, com mais força e vigor, que o combate ao obscurantismo e à tirania, se eleve nas consciências buscadoras da verdadeira Luz. Mas não apenas no templo.

É que, no tempo de Gonçalves Ledo, o ato de declaração de independência deveria partir de uma única pessoa, o então Imperador Dom Pedro I. Aqui, estamos vivendo a Democracia tão sonhada, após 1889, com a Proclamação da República e, embora tenhamos tido a interrupção da Ditadura Militar, hoje podemos respirar livremente sobre nossos sonhos.

Porém, brasileiros aqui nascidos, mas ainda saudosos dos tempos coloniais, pretendem que retornemos àquela época quando, embora possuidores das nossas riquezas, trabalho e frutos, tínhamos que entrega-las a uma potência estrangeira, ficando – quando muito – com as migalhas.

Em Astronomia, o zênite é o ponto dirigido ao Universo, situado a partir da cabeça do observador, enquanto o nadir, é o ponto dirigido ao centro do planeta, alcançado desde os pés do mesmo observador, e ultrapassando os limites do próprio orbe. Sem entrar em detalhes sobre as razões pelas quais, na Maçonaria, se utilizam essas referências, basta saber que o campo de trabalho de todo aquele que pretende ser livre pensador, articulador da democracia, e buscador da verdade, não se restringe apenas no foco de sua própria profissão, embora ela seja necessária para a subsistência material.

É preciso que o olhar do que observa o seu redor, do Zênite ao Nadir, do Oriente ao Ocidente, repouse sobre os perigos da tirania que se avizinha a partir das propostas de políticos alinhados com aquele que governa a Ilha do Norte, mesmo que ele se intitule o defensor da Democracia e dos Bons Costumes, pois já foi dito pelo Mestre dos Mestres: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?…Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus, 7: 16-20).

Recordando ainda meu homônimo, cantando ‘Rádio Pirata’: “Toquem o meu coração, façam a revolução, que está no ar, nas ondas do rádio…”.

*Paulo Ricardo Corrêa é advogado, escritor, radialista, natural de Pelotas, tendo crescido em Rio Grande. Trabalhou na TV Rio Grande, hoje RBS, e como locutor nas rádios Cultura Riograndina e Minuano.

 

 

 

 

Instagram
WhatsApp
Tiktok