Metade Sul: O custo da fragmentação política e a necessidade de pragmatismo

Por Felipe Ferreira Pinto

O Rio Grande do Sul é um Estado de contrastes geográficos e econômicos marcantes. Entre as riquezas da Serra e a pujança do setor primário na Metade Sul, existe um abismo que, muitas vezes, não é apenas de solo ou clima, mas de representatividade política. Como colunista, entendo que a nossa missão é provocar a reflexão, e hoje o tema é urgente: a desunião da Metade Sul na escolha de seus representantes no Legislativo é um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico da nossa região.

A Metade Sul, compreendendo regiões como a Campanha, o Litoral Sul, a Costa Doce e a região de Pelotas e Rio Grande, detém uma fatia considerável do eleitorado gaúcho. Segundo estimativas recentes do IBGE, a população na Metade Sul representa uma parcela expressiva do Estado, conferindo a esta região um potencial de votos capaz de eleger uma bancada robusta tanto na Assembleia Legislativa (55 cadeiras) quanto na Câmara dos Deputados (31 cadeiras).

No entanto, o que vemos na prática é uma fragmentação. O sistema eleitoral brasileiro é proporcional, baseado no Quociente Eleitoral (QE). Para conquistar uma vaga, o partido ou federação precisa atingir um número específico de votos. Quando a nossa região pulveriza o voto em dezenas de candidatos locais pouco competitivos, ou, pior, quando cede o voto para candidatos de fora que enxergam a região apenas como um “curral eleitoral” para colher votos e esquecê-la após o pleito, o prejuízo é matemático. Perdemos força para garantir emendas parlamentares que poderiam financiar desde a infraestrutura básica até projetos de irrigação e incentivo ao agronegócio.

Não se trata de um exercício de futurologia, mas de aritmética pura. Com quase 1,4 milhão de eleitores na Metade Sul, teríamos o peso político para eleger cerca de 34 deputados estaduais e 19 federais, sendo o cálculo numa média de 40 mil votos para Deputado Estadual e 70 mil votos para Deputado Federal, caso nossa união fosse pautada pelo desenvolvimento regional e não pela fragmentação de partidos.

Hoje, esse poder está sendo desperdiçado, deixando nossa região refém de agendas que priorizam o centro e o norte do Estado, enquanto nossas demandas definham na fila de espera por atenção em Porto Alegre e Brasília.

É preciso ter coragem para apontar uma prática comum que prejudica o eleitor: as candidaturas de “teste” ou de “puxação”. Muitos partidos, em nome de uma estratégia de fortalecimento de legenda, lançam candidatos na Metade Sul sabendo que estes não possuem estrutura para chegar à vitória. O objetivo? Apenas “trabalhar o nome” para as eleições municipais seguintes ou, em casos mais graves, captar votos para eleger um candidato da capital ou de outras regiões que pouco se importam com as demandas das nossas cidades.

Isso não é estratégia política, é desrespeito com o eleitor. Quando o cidadão vota, ele deposita uma esperança de mudança. Quando o voto é usado como peça de um jogo de xadrez de um partido, a representatividade da região é erodida.

Precisamos de representantes que não sejam apenas “carimbadores” de ideologias partidárias nacionais, mas verdadeiros defensores dos interesses regionais. A Metade Sul tem potencial. Possuímos vocação para a agroindústria, logística, educação superior e tecnologia. O que nos falta é a união em torno de nomes que priorizem o desenvolvimento, a desburocratização e a infraestrutura.

Nas próximas eleições, convido o leitor a olhar além da sigla partidária. Analise o histórico, veja quem realmente defende a liberdade de empreender e quem entende que o desenvolvimento econômico é a única via real para a justiça social. Chegou a hora de a Metade Sul parar de pedir licença e começar a exercer a força que o seu voto realmente possui.

Instagram
WhatsApp
Tiktok