O TODO PODEROSO
Por Redação Gazeta Gaúcha
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FATOS & COMENTÁRIOS
A crítica do cotidiano
Paulo Ricardo Corrêa*
Pelotas RS
Foto: Arquivo
O TODO PODEROSO
Há 23 anos estreou no Brasil o filme estadunidense O Todo Poderoso, estrelado por Jim Carrey e Morgan Freeman, contando a estória de um jornalista cuja vida perfeita começa a dar errado e, por isso, ele questiona Deus e o modo como Ele comanda as coisas na Terra. Como forma de aliviar as tensões da vida real, vale a pena assistir e dar boas risadas.
Porém, a vida não imita a arte no caso concreto, porque nem sempre os atos dos poderosos são hilários. E falo sobre aquele que se intitula, na geopolítica, de ‘The Mighty Man’.
Donald Trump, o errático governante dos EUA fez, nesta semana, um pronunciamento que não deixa dúvidas quanto as suas intenções no cenário das eleições de meio-mandato.
Levantando dúvidas quanto a lisura no processo eleitoral estadunidense, é unânime a análise de que ele prepara um golpe, justamente no país sedizente exemplo de Democracia.
As eleições de meio-mandato, conforme as pesquisas divulgadas, deverão eleger a maioria de parlamentares democratas, o que possibilitaria – entre outras coisas – na abertura de processo de impeachment do atual presidente, e isso a extrema-direita, que tem a sua expressão máxima nas figuras de Trump e Marco Rubio, mas que não escapa do atual vice-presidente J.D. Vance, jamais iria admitir.
Vale lembrar dos atos de 6 de janeiro de 2021, que tiveram lugar nos EUA, com a invasão do Capitólio (sede do Congresso Nacional de lá), e que não resultou em condenação de prisão do maior articulador, com isso possibilitando que ele fosse eleito, 4 anos mais tarde, como o atual governante, fica claro que, quando um país não pune o golpista, ele sempre tentará retornar ao poder.
Aliás, aqueles atos cometidos no país do Norte foram, sem dúvida, inspiração para os ataques sofridos na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023.
O cenário geopolítico, cuja análise se faz necessária nessa quadra do ano, dado as próximas eleições brasileiras para a Presidência da República, Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Governos Estaduais, aponta possível influência quando, na abertura das urnas, os resultados não foram satisfatórios para os interesses estadunidenses.
O que se enxerga, no quadro geral, é um enorme caldeirão, tampado hermeticamente, fervendo sobre o fogo das paixões e prestes a explodir.
Embora os EUA tenham, nos dias de hoje, a maior força militar do planeta, armado até os dentes com tecnologia nuclear, vem perdendo poder no campo econômico e financeiro, justamente porque cresceu invadindo, tomando terras e pessoas de outros países soberanos e independentes, sob o pretexto de levar a democracia àqueles que divulgavam como prisioneiros de mandatários tiranos, mas no fundo com o propósito de tomar os recursos naturais e econômicos dos invadidos, esgotando-os, razão pela qual chega, no Século XXI, esvaziado de reservas financeiras.
A estratégia que adotou, com base na Doutrina Monroe corrompida pelas ideias de Roosevelt ao longo do Século XX, para fins de dominação de uma grande parte dos países do mundo, a começar pelas Américas, hoje mostra-se frágil e prestar a colapsar.
Desde 1964, com a intervenção dos EUA no cenário político do Brasil, através do Golpe Militar que afastou João Goulart da legítima presidência e colocou militares subservientes na direção do país até 1985, a Doutrina Monroe/Roosevelt tem mostrado que permanece ativa e, infelizmente, com a chegada de Jair Bolsonaro na presidência, essa excrescência político-econômica reviveu nas Terras de Santa Cruz.
Se a extrema-direita brasileira, cuja figura está centrada em Flavio Bolsonaro, chegar ao poder novamente, então correremos o risco real de, novamente, tornarmos ao estado de colônia, não de Portugal, não da Espanha, mas dos Estados Unidos da América do Norte.
O Brasil, hoje, tem um presidente democrático, que defende a soberania do país e a expansão de seu campo econômico e político, através do multilateralismo, único caminho que proporciona o crescimento sustentável dos demais países do planeta.
Todavia, a extrema-direita, máxime essa exercida por Trump, Bolsonaro, Milei, Fujimori e outros, tem como meta o centralismo financeiro e político, querendo retornar ao tempo em que somente os EUA podem mandar no resto do mundo.
Já ficou provado que, ao longo deste curto espaço de tempo onde o Brasil respirou os ares da Democracia, de 1985 até agora, pouco mais de 40 anos de liberdade então, avançamos muito pouco no sentido de reconhecer nosso país e sua grande potencialidade de liderança no concerto das nações, mantendo sob nosso domínio nossas riquezas naturais e força de trabalho. E esses retrocessos se devem ao sistemático retorno, no campo político, de forças da direita, do liberalismo e da extrema-direita.
Se quisermos ir adiante, com firmeza de propósitos e visão estratégica para melhorar a vida das nossas gerações – porque o imediatismo de hoje barra o avanço de amanhã – precisamos impedir que pessoas com pensamentos entreguistas, antipatrióticos e interesses pessoais cheguem aos poderes republicanos: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Só assim poderemos impedir a volta do Todo Poderoso ‘scheriff’ do planeta.
*Paulo Ricardo Corrêa é advogado, escritor, radialista, natural de Pelotas, tendo crescido em Rio Grande. Trabalhou na TV Rio Grande, hoje RBS, e como locutor nas rádios Cultura Riograndina e Minuano.


