Restaurado, Pombal é aberto ao público com nova exposição na Fiocruz

Por Redação Gazeta Gaúcha

Portal GZ1.com.br

Rio de Janeiro RJ

Cristiane Albuquerque (COC/Fiocruz)

Foto: Vitor Vogel

 

“A popularização da ciência e a aproximação com a sociedade fazem parte da nossa identidade. A requalificação do Pombal amplia esse diálogo e fortalece nossa missão de reuinr patrimônio, cultura e sociedade”. Foi assim que o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, resumiu o significado da abertura do conjunto restaurado do Pombal, uma das edificações históricas do seu núcleo original, e da inauguração de uma exposição de longa duração sobre o local. O evento integrou a agenda cultural dos 125 anos da Fiocruz e incluiu uma homenagem a Olga D’arc, idealizadora do movimento pela recuperação do Pombal.

A inauguração amplia a oferta cultural no Rio de Janeiro, especialmente na Zona Norte (Foto: Vitor Vogel – COC/Fiocruz)

A programação incluiu a exibição do episódio Por trás dos tapumes, da série Fiocruz preservando o patrimônio das ciências e da saúde, produzida pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e do trailer do documentário O Pombal gira, da Assistência Técnica de Comunicação da COC/Fiocruz, sobre o movimento cultural que transformou o antigo biotério em espaço de convivência e arte. Houve ainda homenagem à Olga D’arc, idealizadora da iniciativa. A programação fez parte das comemorações pelos 40 anos da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).

Projetado por Luiz Moraes Júnior e inaugurado em 1907, o Pombal abrigou pombos-correio, depois funcionou como biotério e, durante a redemocratização, tornou-se um espaço cultural ativo. Restaurado, o edifício passa a integrar o circuito do Museu da Vida Fiocruz, com uma exposição que convida à reflexão sobre urbanização, meio ambiente e a relação entre saúde e sustentabilidade.

Para o diretor da COC/Fiocruz, Marcos José de Araújo Pinheiro, a iniciativa amplia a oferta cultural no Rio de Janeiro, especialmente na Zona Norte. “O que inauguramos hoje é fruto de um esforço institucional para reconectar pessoas, espaços e sentidos, por meio de intervenções cuidadosas e da redefinição de usos para áreas urbanas e edificações históricas. Trata-se de mais uma etapa do plano de requalificação do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos, que amplia o diálogo com a sociedade e a oferta de atividades socioculturais”, destacou.

Segundo ele, a nova exposição reforça a integração entre ciência, patrimônio e território. “A mostra aborda a relação entre saúde e ambiente, recupera a história de Manguinhos e propõe um olhar sobre os desafios socioambientais contemporâneos, valorizando saberes compartilhados e estratégias de ação coletiva”.

Pinheiro também destacou a candidatura da Fiocruz a patrimônio mundial. “A requalificação e ativação de espaços como o Pombal são fundamentais para esse processo. Esperamos devolver à instituição e à sociedade um Pombal vivo, como espaço de encontro, contemplação e aprendizado”, afirmou.

Mario Moreira lembrou o significado coletivo da reabertura do Pombal e o papel da cultura na atuação institucional. “Esta é uma entrega construída por muitas mãos, não apenas para a Fiocruz, mas para a sociedade, especialmente a carioca, que pode desfrutar deste campo tão importante. Chegar a um espaço como este, com o auditório cheio, para celebrar, nos permite sair da rotina e reforçar a convivência, o encontro e o diálogo”, disse.

A abertura do Pombal, a nova exposição e o Programa de Educação Patrimonial são realizados pelo Ministério da Cultura e o Governo Federal, em conjunto com a Casa de Oswaldo Cruz, com gestão cultural da Sociedade de Promoção Sociocultural da Fiocruz (SOCULTFio). O projeto conta com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e patrocínio do Instituto Vale, da Basf, da Enauta e da Bayer, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A superintendente de Relacionamento, Marketing e Cultura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marina Moreira; o secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lucas Padilha; a líder de Patrocínios da Vale, Marize Mattos; e a consultora de Relações Governamentais e Engajamento Social da Basf, Karla Tiemi, participaram da inauguração.

Pombal Gira homenageia Olga D’arc

Durante a programação especial, foi exibido o trailer do documentário O Pombal gira, título que faz referência ao movimento cultural surgido na virada dos anos 1990, responsável por transformar o Pombal em ponto de cultura e encontro da comunidade da Fiocruz e do território. A produção foi realizada pela COC/Fiocruz.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira (à direita), o diretor da COC/Fiocruz, Marcos José Araújo Pinheiro, e a idealizadora do movimento Pombal Gira, Olga D’arc, fizeram a abertura oficial do Pombal (Foto: Vitor Vogel COC/Fiocruz)

A homenagem a Olga D’arc, idealizadora do movimento, foi um dos momentos mais emocionantes e descontraídos da cerimônia, reunindo mentores e participantes da iniciativa e reconhecendo seu papel fundamental na ressignificação do Pombal como espaço coletivo e cultural. Olga D’arc relembrou, com emoção, a criação do movimento cultural que marcou a história do Pombal e destacou o desejo de promover encontros entre as pessoas.

“Naquela época, meu desejo era promover o encontro das pessoas. O Pombal me impressionava pela arquitetura e pela história, e imaginei ali um centro cultural com música, teatro e artesanato, um espaço de convivência”, contou.

Segundo Olga, o movimento surgiu de forma espontânea. “Começamos a imaginar atividades para cada espaço e o nome veio naturalmente: Pombal Gira. Era um movimento para reunir pessoas e trocar experiências, com festas, apresentações e iniciativas que aproximaram a comunidade”, relembrou.

Atualmente vivendo na Amazônia, ela também destacou sua ligação com a Fiocruz: “Tenho muito a agradecer à Fiocruz. A instituição marcou minha vida e segue sendo fundamental. Hoje estou muito feliz, mas continuo levando comigo essa história e esse compromisso com a cultura, com a ciência e com as causas sociais”.

Mario Moreira ressaltou a importância dos vínculos construídos ao longo do tempo e homenageou Olga D’arc. “As histórias que nos unem mostram que a Fiocruz é feita de pessoas. Esses espaços de convivência, cultura e reconhecimento fortalecem nossa identidade institucional e nossa relação com a sociedade. Estou muito feliz de participar deste momento e prestar essa homenagem, que simboliza o valor do afeto e do trabalho coletivo na construção da instituição”.

Rita Matos, que participou ativamente do Pombal Gira, também destacou, em tom emocionado e bem-humorado, a importância do movimento cultural e a influência de Olga D’arc em sua trajetória. “Nós éramos chamados de ‘bando’. Cada vez que a Olga chegava, surgia uma ideia nova: oficina de cerâmica, atividades culturais, encontros. Tudo era uma grande articulação”, conta. “A Olga transformou a minha forma de ver a instituição. Ela me mostrou uma Fiocruz diferente, mais aberta, mais criativa, onde era possível construir coletivamente. Foi uma mudança profunda na minha trajetória”, concluiu.

Com informações da Fiocruz

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