Rio de Janeiro lança ação integrada de prevenção ao El Niño

Por:Redação Gazeta Gaúcha

PortalGZ1.com.br

Rio de Janeiro-RJ

Foto: Rovena Rosa

 

Cômite criado em julho reuniu prefeitos e autoridades estaduais

 

Calor intenso, redução da disponibilidade hídrica, aumento do risco de incêndios florestais e eventos meteorológicos severos estão entre os impactos do El Niño possíveis de ocorrer no estado do Rio de Janeiro, segundo o comitê criado para preparar o Poder Público fluminense para o fenômeno climático.

Instituído no início de julho, o Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño reuniu nesta quinta-feira (20) gestores do executivo estadual e prefeitos de municípios fluminenses no auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, Zona Norte da capital.

Para se antecipar a esse cenário, ações integradas estarão no Programa Antecipar e Reagir ─ Impactos do El Niño do Estado do Rio de Janeiro.

“Mais do que responder a uma emergência quando ela acontece, a proposta é trabalhar antes dela, identificar riscos, planejar ações, compartilhar informações, estabelecer responsabilidades e aproximar ainda mais o estado e seus municípios”, disse o governo do estado ao divulgar a iniciativa.

Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (29). Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade na tarde de 29 de julho. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Super El Niño

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta e modifica a distribuição das chuvas em diversas regiões, incluindo a América do Sul.

Projeções meteorológicas indicam que o fenômeno deve ter maior intesidade neste ano e chegaram a chamá-lo de “Super El Niño”.

No Rio de Janeiro, são esperadas situações com possíveis repercussões sobre a saúde pública, a agricultura, o meio ambiente, os recursos hídricos, o abastecimento de água e energia e, sobretudo, a segurança da população, descreveu o governo do estado.

Por isso, o comitê é composto por quatro câmaras técnicas: Defesa Civil; Saúde; Ambiente e Sustentabilidade; e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior.

“A estratégia reúne treinamentos para equipes das prefeituras, novos sistemas de monitoramento e alerta e ferramentas que vão ajudar a identificar com antecedência as áreas e populações mais vulneráveis a eventos como ondas de calor, chuvas intensas, enchentes, estiagem e queimadas”, informou o governo estadual.

Estavam presentes no encontro desta quinta-feira os secretários de Estado de Defesa Civil, coronel PM Tarcísio Sales; de Saúde, Ronaldo Damião; do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas; e de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, Ricardo Mansur.

Também participaram a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, a chefe do serviço de articulação inter-federativa e participativa da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Patrícia Santana; e o coordenador do Centro de apoio às Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo, promotor de justiça Vinícius Lameira Bernardo.

Impactos já chegaram

Para o secretário de Defesa Civil, a criação do Comitê se mostra relevante na medida em que já são notados os impactos do El Niño no estado.

“Não tratamos aqui de coisas, de possibilidades, daquilo que pode acontecer, mas, sim, do que já vivenciamos. Temos um quadro de baixa umidade, de estiagem, fortes ventos. Isso tudo vem contribuindo com a incidência de incêndios florestais”, pontuou.

 

Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ele destacou que o mês de julho teve um aumento de 100% dos incêndios florestais na comparação com o ano passado, o que é um dado muito relevante. O secretário disse ainda que a Região Serrana apresenta maior risco geológico, mas que a atenção está voltada para todo o estado.

“A preocupação é todo o estado. Não há uma preocupação específica com a Região Serrana”, assegurou.

A reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Gulnar Azevedo e Silva, destacou o fato de a cerimônia de início da iniciativa ter sido realizada na instituição. Gulnar ressaltou que a população do estado do Rio de Janeiro sofre com grandes desigualdades, que podem ser agravadas com a interferência dos efeitos de eventos climáticos.

“O papel da universidade é perceber o que podemos fazer, em articulação, e mostrar a nossa competência e disponibilidade de estar junto. Nós temos muita vontade de que, prevendo e se articulando, a gente vai minimizar, mitigar os efeitos que devem aparecer no nosso estado”, apontou.

O secretário de Saúde afirmou que o El Niño é um fenômeno antigo, que se repete com frequência, mas que, com a falta de planejamento e as agressões à natureza e ao meio ambiente, agora tem efeito maior.

Damião chamou atenção para a necessidade de acionar os agentes comunitários de saúde e de endemias dentro da estratégia de enfrentamento. São cerca de 20 mil espalhados no estado.

“Eles conhecem cada casa, cada história e cada paciente e situação que vai precisar de alguma intervenção”, indicou.

 

Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

Prevenção de incêndios

O secretário de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas, destacou que a população deve colaborar para reduzir o risco de incêndios florestais.

“Hoje, uma guimba de cigarro que se joga pela janela do carro pode lamber um parque inteiro. A vegetação está muito seca, e a população precisa ter essa consciência”, apontou, lembrando que a prática criminosa de soltar balões também é um risco e pode provocar grandes incêndios.

A outra preocupação da Secretaria do Ambiente é com os recursos hídricos.

“A mensagem essencial é: não jogue lixo no rio, no curso hídrico, no valão, no que for, porque isso tem efeito muito sério”, alertou.

 

Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Saúde, Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
 O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño.Agência Brasil
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