Desenrola já tirou mais de 12 milhões de pessoas do endividamento. Programa vai até dia 31

O Desenrola Brasil, iniciativa do Governo Federal para tirar a população brasileira do endividamento, completa oito meses, possibilitando que mais de 12,2 milhões de pessoas tenham negociado dívidas que, somadas, chegam a R$ 37,5 bilhões. As condições são especiais, com descontos que podem chegar a 96%, juros abaixo do mercado e possibilidade de parcelamento em até 60 meses.

O prazo para quem ainda não aderiu ao programa termina no próximo dia 31 de março: “Aconselho a essas pessoas que estão na situação que eu estava no passado, com o nome negativado a, o quanto antes, procurarem limpar o nome e voltar ao mercado de trabalho, ao mercado financeiro e a comprar”, diz o motorista Maurício Mendes da Silva, de 58 anos, residente na cidade de São Paulo (SP). Atualmente, ele trabalha por meio de aplicativos, com carro próprio.

“É uma coisa muito boa, pois você se sente uma outra pessoa. Realmente, você se vê acolhido pelo governo, pela sociedade, porque você entrar em qualquer estabelecimento e saber que você tem crédito, tem nome, tem as portas abertas e sabe que tem condições de pagar, é muito bom”, ressalta.

Maurício estava com o nome negativado há seis anos por dívidas do cartão de crédito e em duas lojas. Com o Desenrola, ele conseguiu quitá-las.

“Incrível o que aconteceu quanto à situação do Desenrola na minha vida. Até então, eu tinha uma vida financeira ruim, não era saudável. Acabei comprando, sem condições de pagar e, aí, a dívida foi crescendo e ficou inviável com o ganho que eu tinha. Se eu pagasse, no mês seguinte, eu não ia ter o que comer”, relatou, em entrevista à Agência Gov.

Voltar a sonhar

Sua dívida era de aproximadamente R$ 1.700 e, com a renegociação, teve um desconto de cerca de 60%, optando por fazer o pagamento à vista.


“Tive uma quitação dessa dívida de R$ 400. Hoje, eu consegui financiar um carro, ano 2023. Antes, era uma coisa irreal acreditar que eu poderia comprar esse carro. Agora, eu tenho outros planos, sonhos que podem vir a se tornar realidade”, contou,  agora, já com nome limpo e, portanto, com acesso a crédito.


Ele conheceu o Desenrola na Caixa Econômica Federal, por meio de um cartaz, e fez sua negociação com ajuda do gerente. “Eu não só amenizei, como quitei a dívida. Hoje estou com o nome limpo e minha situação financeira completamente saudável”, comemora Maurício.

Já a auxiliar de desenvolvimento infantil Luana Maria Santos da Silva, de 40 anos, de Salvador, conta que seu sonho, agora, é comprar uma casa. Uma perspectiva que se tornou possível desde janeiro de 2024, quando ela pagou a última de quatro parcelas da sua dívida, renegociada com desconto de cerca de 30%, pela plataforma do Desenrola.

Antes, ela sofria com uma conta feita pelo pai de seu filho que, mesmo tendo feito a dívida, não honrou com o compromisso.

Luana tentou diversas vezes renegociar, porque estava com o nome sujo, além não tinha de condições de pagamento, já que uma de suas prioridades é investir na educação do filho.

Além disso, estava insatisfeita com as tentativas anteriores, porque nenhuma melhorava sua pontuação no Serasa Score – indicador que vai de 0 a 100 e serve como indicador das chances que cada um tem de pagar suas contas. “Alguns amigos meus falaram para esperar cinco anos para a dívida caducar, mas eu não podia ter cartão de crédito, agora eu tenho, e ajuda muito”, disse. Assim, a educadora não poderia, por exemplo, nem ter cartão de crédito, nem planejar fazer o financiamento de seu imóvel próprio.

Educação financeira

“Foi o melhor programa que o governo fez, mudou a minha vida”, avalia Luana. “É muito fácil, rápido, faz pelo notebook, pelo celular, quem não tem, vá numa lan house, eu fiz rapidinho, mas não deixe de fazer porque sim, é uma boa oportunidade de quitar seus débitos”, afirmou.

Luana contou ainda que acessou o material de educação financeira disponibilizado pelo Ministério da Fazenda na própria plataforma do Desenrola Brasil: “Lá, ensinam como se organizar e pagar suas contas”.

A secretária adjunta de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Ana Maria Netto, em entrevista ao Canal Gov, falou sobre a parceria entre Correios, que oferece atendimento presencial nas mais de 6 mil agências de todo o Brasil desde o início de março, e Serasa.

Trata-se de uma estratégia fundamental nesta reta final do programa, em sua avaliação, para todos os que ainda querem renegociar suas dívidas pelo Desenrola. Ela explicou que, o Dia D do Desenrola, no dia 21 de março, foi uma data especial para os atendimentos. Isso porque ofereceu, além das facilidades de negociação, instruções para sair das situações de endividamento.

Desenrola: negociação com descontos especiais e parcelamento

Os descontos, lembrou Ana Maria Netto, podem chegar a 96%, fazendo a dívida ter diminuição expressiva e caber no bolso do consumidor. Pela plataforma Desenrola, o credor pode ver todas as dívidas que possui, somá-las e renegociar com opções de parcelamento.

“Nessa parcela, ele não precisa fazer pagamento de entrada. Pode se programar para pagar a primeira parcela só daqui a 60 dias, e passa a ter um teto de taxa de juros para essa operação, de 1,99% ao mês, juros bem menores do que encontraria no mercado para fazer qualquer opção de refinanciamento das dívidas. Então, não é só o desconto que atrai. É muito importante que o consumidor saiba que, além do desconto, ele tem essa oportunidade de parcelamento nessas condições extremamente favoráveis”, explica a secretária.

Se houver qualquer imprevisto que impeça de honrar essa nova dívida e o consumidor não puder pagar as parcelas, a dívida estará menor, pelo desconto e pelas taxas atrativas com o parcelamento em até 60 meses, reforçou. “A dívida não vai crescer naquelas proporções desorientadas, como crescem no cartão de crédito. É muito importante conhecer essas possibilidades e facilidades que são do programa Desenrola, que dificilmente o cidadão vai encontrar em outras oportunidades que ele venha a ter, mesmo com o credor, mas essas condições são por tempo limitado”, alertou.


“Uma mensagem importante que a gente tem considerado efeito do programa é que as pessoas passaram a ter maior tranquilidade para falar das suas dívidas. Era uma situação de muita vergonha, era um assunto que não era debatido, e a dívida, quanto mais você esconde que ela existe, maior ela vai ficando”, diz a secretária.


Desse modo, mais problemas vai trazendo para sua vida financeira, não só na dificuldade que você tem de contratar crédito, de poder pegar um financiamento para, quando você precisa, fazer algum compromisso, mas também a saúde mental das pessoas. Essa é uma mensagem muito grande, muito forte”, completou Ana Maria Netto.

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Como fazer a negociação das dívidas pelo Desenrola

Quem estiver interessado em fazer a renegociação, deve acessar a plataforma oficial por meio do endereço Desenrola.gov.br e fazer login com a conta Gov.br.  Qualquer pessoa pode fazer uma conta Gov.br gratuitamente e acessar o programa em qualquer categoria: ouro, prato ou bronze. Lá, estão disponíveis as oportunidades de renegociação de dívida, e o usuário vai avançando nas opções.

“A navegação é tranquila, as pessoas dizem que em até três minutos assinaram o contrato no caso de parcelamento ou concluíram a sua renegociação. Aqueles que têm o aplicativo da Serasa também podem fazer pelo aplicativo Limpa Nome. Para aqueles que possuem dívida na Serasa, vai aparecer um ícone, e a pessoa pode já clicar nele e vai direto para a plataforma do Desenrola, sem a necessidade de fazer um novo login com a conta Gov.br”, detalhou.

O Desenrola contempla dívidas negativadas entre 2019 e 2022. Podem participar pessoas que recebam até dois salários mínimos ou que estejam inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). O programa engloba todos os tipos de dívida: com o banco, do cartão de crédito, de empréstimos, de escolas, além de contas de água, luz e telefone.

Passo a passo

Quais são as empresas participantes do Desenrola?

Mais de 600 empresas participam do Desenrola, incluindo bancos, varejistas, companhias de água e saneamento, distribuidoras de eletricidade, entre outras. A Plataforma disponibiliza a lista de dívidas que poderão ser negociadas. Basta entrar na plataforma, e o site mostrará também o desconto oferecido pelo credor. Para acessar a plataforma, acesse: https://desenrola.gov.br/

Qual é o primeiro passo para usar o Desenrola?

É necessário ter uma conta no Portal Gov.br ou acessar pelos aplicativos e site da Serasa, da Caixa Econômica Federal, do Itaú e do Santander. Quem for entrar direto na página do Desenrola, deve clicar em “Entrar com gov.br”,  fazer sua identificação, digitando o seu CPF e senha da sua conta gov.

No primeiro acesso, os cidadãos precisam aceitar os Termos de Uso; cadastrar um número de celular e um endereço de e-mail e confirmar os dados de contato, digitando um código recebido no celular e outro no e-mail.

É seguro renegociar dívidas pelo site do Desenrola?

O programa foi elaborado para que o processo aconteça de maneira segura e rápida. As negociações são feitas totalmente por meio digital, sem riscos.

O Governo Federal alerta: use apenas o site oficial https://desenrola.gov.br/home. Qualquer outro canal de comunicação, como link, e-mail, mensagens de WhatsApp, pode configurar tentativa de golpe, e deve ser ignorado pelo cidadão.

As estratégias dos bandidos envolveram e-mails, mensagens e até mesmo a criação de sites com o nome do “Desenrola”. Tudo isso é falso.

O que fazer em casos de suspeita de fraude no Desenrola?

O cidadão deve comunicar a ocorrência de tentativas de fraudes com o registro de ocorrências policiais, contato com os Procons, e com a própria central telefônica do credor.

Quem receber alguma mensagem suspeita propondo a renegociação pelo Desenrola deve procurar sempre o seu credor antes de tomar qualquer atitude. Jamais deve-se acessar links suspeitos e fornecer dados pessoais a desconhecidos.

O programa oferece gratuitamente, por meio do site oficial, conteúdos de educação financeira que ensinam a planejar o orçamento, dão dicas para poupar dinheiro e até para investir. Clique aqui para acessar o conteúdo.

Por: Agência Gov
Texto: Daniella Cambaúva
Edição: Paulo Donizetti de Souza / Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil